Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é o nome técnico da popular “pressão alta”, o principal problemas de saúde crônico do adulto. Dr. Eduardo Tiburcio é médico de família, especialista nos problemas de saúde mais comuns e tem muita experiência no tratamento da hipertensão.
O que é Hipertensão?
A hipertensão é considerada uma doença crônica, ou seja, que não tem cura mas pode ser controlada com medidas relacionadas ao estilo de vida e tratamento medicamentoso.
A hipertensão arterial é a doença crônica mais comum no adulto acima de 40 anos e, como diz o nome, se caracteriza pelo aumento da pressão nas artérias (vasos sanguíneos).
Qual médico cuida de hipertensão?
O médico de família cuida de todas as pessoas, em todas as faixas etárias, com os problemas de saúde mais comuns, como a hipertensão, que é a doença crônica mais comum.
Dr. Eduardo Tiburcio é médico de família no Rio de Janeiro formado pela UFRJ e tem vários anos de experiência no tratamento da hipertensão.
Na medicina de família, buscamos entender os valores principais do paciente para propor um cuidado específico às suas necessidades.
Isso é fundamental no tratamento da pressão alta, pois veremos que ele envolve muito além do que só tomar remédio.
Assim, entender os valores de cada pessoa é fundamental para que se possa propor mudanças de estilo de vida adequadas.
Por que temos uma pressão mínima e uma máxima?
O coração funciona como uma bomba para fazer o sangue circular. Mas, diferente de uma bomba elétrica, ele não consegue ejetar o sangue constantemente.
Assim, quando ele está cheio de sangue, ele contrai ejetando o sangue e depois relaxa para se encher novamente de sangue.
Então, temos a pressão máxima (sistólica) no momento em que o coração contrai (sístole) e a mínima (diastólica) no momento em que ele relaxa (diástole).
O que causa hipertensão?
Pensar na variação da pressão no sangue é igual pensar a variação da pressão em uma mangueira como brincavam as crianças.
Para aumentar a pressão da mangueira fazíamos duas coisas principais: abrir mais a torneira para aumentar o fluxo de água ou tampar a saída para que apesar do menor volume ele tenha mais força.
A pressão sanguínea vai funcionar da mesma forma dependendo de duas coisas:
- Bombeamento do coração (débito cardíaco): quanto mais o sangue bombeia, maior a pressão.
- Da resistência dos vasos (resistência vascular periférica): quanto mais resistentes os vasos, maior precisa ser a pressão para fazer o sangue circular.
Assim, tudo aquilo que aumente esses dois fatores fará com que a pressão suba.
Podemos citar como causas, então:
- Excesso de sal: retém água e “aumenta o volume do sangue”.
- Obesidade, fumo/tabagismo, colesterol elevado: dificultam a circulação sanguínea por aumentarem a resistência dos vasos.
- Estresse e sedentarismo (baixa atividade física): acelera o bombeamento do coração.
Definição e Diagnóstico de Hipertensão
O ponto de corte tradicional para considerar a pressão elevada é 140/90, o famoso, 14/9.
No entanto, eventualmente, todo mundo pode ter um momento isolado em que a pressão suba um pouco, fazendo um pico de pressão. Isso pode acontecer por vários motivos:
- Exercício/esforço físico recente.
- Consumo de bebidas estimulantes: café, mate, chá preto, energéticos.
- Situações de desconforto: dor, vontade de urinar, fome, etc.
- Momentos de medo ou ansiedade.
Esses picos isolados não necessariamente vão caracterizar a hipertensão. O paciente hipertenso é aquele que tem a pressão sempre alta!
Assim, uma única medida da pressão mais alta não significa que a pessoa seja hipertensa!
Então para o diagnóstico de hipertensão precisamos de mais de uma aferição elevada da pressão o que pode ser feito de diferentes formas:
- No consultório médico: pelo menos duas medidas ≥ 140/90 com no mínimo 1 semana de intervalo.
- MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial): exame em que se mede a pressão durante 24h.
- MRPA (Monitorização Residencial da Pressão Arterial): medidas por aparelho automático realizadas pelo próprio paciente.
Atenção: 4 medicações que podem elevar a pressão!
Cada vez mais as pessoas buscam “soluções fáceis” para “problemas difíceis” e temos várias “pílulas mágicas” por aí.
Acontece que isso pode trazer uma série de problemas quando se faz uso de medicações sem orientação médica.
Assim, é importante ressaltarmos algumas medicações que podem elevar a sua pressão em caso de uso excessivo ou inadequado de modo a às vezes simular que você seja hipertenso. São elas:
- Antinflamatórios
- Pílula contraceptiva combinada (estrogênio + progesterona)
- Antidepressivos
- Analgésicos
Então, evite se medicar por conta própria e busque uma avaliação pelo seu médico de família sempre que precisar!
Sintomas de Pressão Alta
Na maioria das vezes, a hipertensão é assintomática!
No entanto, alguns sintomas podem ser sugestivos de complicações, como:
- Dor no peito.
- Falta de ar.
- Coração acelerado (palpitações).
- Pernas inchadas.
- Dor de cabeça muito intensa.
- Claudicação (dor ao caminhar).
- Visão turva.
- Tontura.
Lembrando que não é o aumento da pressão que causa diretamente esses sintomas.
O mito mais comum é acreditar que a pressão alta está causando dor de cabeça (leve/moderada) quando geralmente é o inverso: a dor que eleva a pressão!
Situações Especiais: jaleco branco e hipertensão mascarada.
Existem duas situações especiais que podem dificultar o diagnóstico da pressão alta:
Hipertensão do Jaleco Branco
Pessoas cuja pressão se eleva exclusivamente no consultório médico, mas têm pressão normal em casa.
Em geral, não precisam de tratamento, mas precisam ser acompanhados de perto pelo médico de família para avaliar se em algum momento a pressão se torna persistentemente alta.
Hipertensão Mascarada
Pessoas com pressão normal no consultório, porém com ela persistentemente elevada fora da consulta médica.
Esses casos são mais graves, pois podem passar despercebidos e deixam o paciente sob os riscos relacionados à pressão alta.
Complicações da hipertensão
A elevação da pressão pode causar danos a vários órgãos do corpo, porque o aumento da pressão do sangue que circula vai aos poucos lesionando os vasos sanguíneos.
Assim como no diabetes, os menores vasos são os que começam a sofrer primeiro com a hipertensão e podem causar diferentes problemas de acordo com o local:
- Cérebro: acidente vascular cerebral (AVC).
- Coração: infarto e insuficiência cardíaca (“coração grande”).
- Rins: insuficiência renal crônica.
- Artérias: doença arterial obstrutiva periférica.
- Olhos: retinopatia hipertensiva (comprometimento do fundo de olho).
Se você já leu o artigo de diabetes com certeza percebeu que muitas complicações do diabetes são semelhantes às da pressão alta, isso porque os dois fazem lesão dos vasos a pesar de cada um por seu próprio mecanismo.
Além disso, como as duas condições têm origem em maus hábitos de vida, é muito comum que as pessoas tenham os dois problemas juntos.
Como evitar as complicações da hipertensão?
É fundamental tratar adequadamente a hipertensão para evitar suas complicações!
O médico de família cuida de todas as pessoas, em todas as faixas etárias, com os problemas de saúde mais comuns, como a hipertensão, que é a doença crônica mais comum.
Dr. Eduardo Tiburcio é médico de família no Rio de Janeiro formado pela UFRJ e tem vários anos de experiência no tratamento da hipertensão e na rotina pré-natal.
Na medicina de família, buscamos entender os valores principais do paciente para propor um cuidado específico às suas necessidades.
Isso é fundamental no tratamento da pressão alta, pois veremos que ele envolve muito além do que só tomar remédio.
Assim, entender os valores de cada pessoa é fundamental para que se possa propor mudanças de estilo de vida adequadas.
Tratamento da hipertensão
Antes de tudo, é importante relembrar o que avisei no início do artigo: não existe pílula mágica ou “solução fácil para problema difícil”!
A parte mais importante do tratamento da pressão alta será as mudanças de estilo de vida que todo mundo sabe que precisa mas (quase) ninguém faz.
Mudanças de Estilo de Vida – 10 dicas para se livrar da pressão alta!
Bons hábitos de vida podem prevenir ou retardar o início da hipertensão em pessoas com pressão normal.
Além disso, são a primeira linha de tratamento para quem já tem a pressão alta e muitas vezes podem ser suficientes para o seu controle sem a necessidade de medicações!
- Redução do consumo de sal.
- Dieta saudável (DASH – Abordagem Dietética para Parar a Hipertensão, sigla em inglês): rica em cereais integrais, frutas, legumes e gordura poliinsaturada.
- Atenção com as bebidas: consumo controlado de café, chá verde e chá preto; chá de hibisco, suco de romã, suco de beterraba.
- Consumo controlado de álcool: limite diário de 2 doses por dia (uma dose = 10g = 200mL cerveja ou 80mL de vinho ou 25mL de destilado). Importante ressaltar: o não consumo de álcool em um dia não acumula para ser consumido em outro dia!
- Controle do peso: indicado para evitar obesidade, principalmente obesidade abdominal. Atualmente recomenda-se uma relação circunferência abdominal/altura < 0,5 para todas as populações. IMC e circunferência abdominal isolada devem ser avaliados de acordo com a etnia.
- Cessação do tabagismo.
- Atividade física regular: o exercício é eficaz tanto na prevenção quanto no tratamento da hipertensão. Recomenda-se 30 minutos de 5 a 7 dias na semana de exercício aeróbico com intensidade moderada (caminhada, corrida, ciclismo, yoga ou natação) ou 2 a 3 dias na semana de exercício de força ou resistência.
- Redução do estresse: estudos sugerem que meditação e mindfulness (atenção plena) podem ter um efeito positivo no controle da pressão.
- Reduzir exposição à poluição do ar.
- Práticas alternativas: algumas culturas tradicionais como na África e na China usam práticas alternativas. No entanto, vale ressaltar que ainda não temos comprovações científicas desses métodos.
Tratamento medicamentoso
Existem diversas medicações eficazes disponíveis para o tratamento da hipertensão.
Assim, é importante que haja uma decisão compartilhada entre o médico e o paciente para que a terapia seja adaptável à vida da pessoa e nunca o contrário.
Dessa forma, precisamos sempre esclarecer sobre o mecanismo de ação e efeitos adversos possíveis para que a pessoa fique a vontade com o seu tratamento.
Na medicina de família, buscamos entender os valores principais do paciente para propor um cuidado específico às suas necessidades.
Dr. Eduardo Tiburcio é médico de família no Rio de Janeiro formado pela UFRJ e tem vários anos de experiência no tratamento da hipertensão e na rotina pré-natal.
Situações Específicas
Hipertensão Resistente
Condição na qual a pressão não é controlada mesmo com o uso de 3 medicações adequadamente sendo pelo menos uma delas um diurético.
Vale ressaltar que a metade dos casos, na realidade, são de pseudoresistência pois no final a adesão ao tratamento não é feita da forma adequada.
Nos casos reais, é importante pensar em hipertensão induzida por drogas/uso de substâncias ou hipertensão secundária.
Hipertensão Secundária
Nessa situação, a hipertensão é um sintoma de outra doença e não o problema original de fato, o que acontece em apenas 5-10% dos casos.
As principais causas de hipertensão secundária são:
- Problemas renais (doença parenquimatosa renal e hipertensão renovascular).
- Alterações hormonais da glândula suprarrenal (hiperaldosteronismo primário).
- Apneia do sono.
- Hipertensão induzida por drogas ou uso de substâncias.
Hipertensão na Gravidez
Como exposto anteriormente, na medicina de família, atendemos todas as pessoas e cuidamos de todas as fases da vida, incluindo o pré-natal.
Dr. Eduardo Tiburcio é médico de família no Rio de Janeiro formado pela UFRJ e tem vários anos de experiência no tratamento da hipertensão e na rotina pré-natal.
Durante a gravidez, é importante diferenciar se a hipertensão é anterior à gestação de quando ela é uma complicação decorrente da gravidez.
Caso a gestante já saiba ser hipertensa ou tenha o diagnóstico de hipertensão no início da gravidez (com menos de 20 semanas), ela é considerada como hipertensão prévia.
Quando a pressão se eleva após a 20ª semana de gestação e perdura até no máximo 6 semanas após o parto, ela é considerada hipertensão gestacional.
A hipertensão durante a gravidez pode ser grave e deve-se ficar atento com suas complicações:
- Pré-eclâmpsia: hipertensão com proteína na urina.
- Eclâmpsia: hipertensão com crise convulsiva, dor de cabeça intensa, alterações da visão, dor abdominal, enjoo e vômito, redução da urina – necessita de atendimento de urgência!
Conclusão
Por se tratar de uma doença crônica que vai acompanhar a pessoa por toda a vida, para o adequado acompanhamento da pressão alta, é importante ter uma abordagem que reconheça e considere os valores individuais, ou seja, centrada na pessoa.
Apesar de a hipertensão poder ter complicações graves, o seu controle é possível de ser atingido com o comprometimento e trabalho em equipe de profissionais da saúde e pacientes.
Tem hipertensão ou ficou com mais alguma dúvida? Não deixe de marcar a sua consulta!
Gostou desse artigo e conhece alguém que pode se beneficiar dessas informações? Compartilhe!
A boa informação é sempre o melhor remédio!
Fontes e Leituras Complementares
Sociedade Internacional de Hipertensão – Protocolo Global 2020
Ministério da Saúde – Linha de Cuidado do Adulto com Hipertensão
Uma resposta